revisteme!

from between enemy lines

Cuidar de mim e das pessoas que estão comigo é mais importante do que estudar ideias complicadas na tela de um computador.

Aprender como ter conversas reais sem ser derrubada pela ansiedade e por ficar autocentrada é mais importante do que colocar pensamentos longos e enrolados no papel porque eles me assombrarão para sempre.

Ficar calma nas horas mais difíceis e ser capaz de aprender essa habilidade em conjunto é mais poderoso do que um dedo trêmulo segurando o gatilho.

Alcançar alguém através da minha tendência antissocial é mais revolucionário do que escrever um livro inteiro cheio de termos carregados que precisam de filosofia europeia para serem explicados de qualquer forma.

Recusar o pacifismo e a apatia vem antes de aceitar uma espiritualidade falsa que só serve para substituir o que foi passado a mim com enorme esforço por meus antepassados.

Não ser sujeita ao policiamento da minha narrativa e sua expressão é mais necessário do que prestar atenção a pessoas que sentem-se incertas sobre sua ancestralidade e o que fazer com ela.

Considerar a responsabilização e a reparação como normais e necessárias vem antes de esperar chegar uma identidade perfeita que é imune a críticas.

Recusar a me patologizar é mais saudável do que estar sempre incerta sobre quem eu sou, quem está comigo e quem não está.

Não prestar mais atenção nas minhas dificuldades do que nas possíveis saídas é um melhor conselho do que a maioria das coisas que qualquer pessoa tem para dizer na Internet.

Lembrar que os primeiros seres humanos a atravessarem para Abya Yala não vieram através de Bering é por si só uma parte muito mais importante da história do que um bilhão de palavras sobre presidentes dos EU e o que quer que tenham na sua agenda.

Ser criticada publicamente mais uma vez é menos ameaçador do que o dano possivelmente envolvido de qualquer forma em simplesmente andar pela rua.

Saber com certeza que muitas pessoas precisam de mais ajuda do que eu é muito mais óbvio do que tentar argumentar pela minha importância pessoal.

Não ter medo mas consciência do escrutínio daquelas pessoas que querem desenhar meus contornos só para saber o melhor ângulo de ataque vai me tornar muito mais forte do que acovardar-me.

Convencer-me por mais um dia de que não preciso chegar à exaustão para me sentir merecedora de alimentação e abrigo é mais importante do que cumprir as expectativas da ética protestante me cercando.

Estudar uma única linha de história pré-colonial é mais libertador do que continuar a tornar minha mente laica com nenhum resultado além de mais dúvida.

Confiar no meu sentimento instintivo sobre ideias confusas terem pouco valor é muito mais saudável do que tentar entender o que falantes de inglês estão falando nas suas últimas ideias anarco-niilistas de merda que eu não tenho tempo para ler de qualquer maneira.

Escolher o conhecimento ao invés do consumismo e o questionamento real ao invés das lutas internas é mais profundo do que a crítica que chega por dentro de fios.

Ter um diálogo cuidadoso comigo mesma é mais saudável do que tentar fazer com que pessoas anônimas da Internet resolvam minha solidão e insegurança.

Olhar no espelho e tomar um banho é mais emancipatória do que me atualizar sobre as últimas notícias da transfobia acadêmica como uma forma de machucar a mim mesma psicologicamente.

Fazer com que dinheiro e outros recursos cheguem às comunidades que mais precisam deles é uma mudança maior do que enviar mais informações para o tecnocrata do norte.

Ter todas as suas ações e palavras medidas como se você só tivesse o valor de suas demonstrações externas de lealdade a uma cena social ajuda muito menos do que um único ato de afeto em direção a quem realmente se importa comigo.

Tentar aprender como me ajustar e melhor agradar as outras pessoas é uma enorme perda de tempo comparado ao estudo do meu próprio corpo e mente junto de pessoas que tenham corpos e mentes como o meu.

Tentar carregar toda a batalha por poder do mundo inteiro nas minhas costas é muito mais narcisista do que aquilo que profissionais de “saúde mental” possam estar tentando falar de formas totalmente desencontradas.

Escrever poesia concisa é muito mais libetador do que perder-se em uma prosa sem fim.

Não desistir do crescimento, da alegria e do afeto é mais maduro do que apegar-me a uma ideia estática e fria do que é ser adulta.

Manter-se eternamente crítica de mim mesma e das outras pessoas sem sacrificar o cuidado coletivo é preferível sobre o que alguém na clínica de psiquiatria está tentando me dizer de forma insensível só para me mandar para casa e esquecer a respeito.

Não ser moldada por um pastor é mais urgente do que desistir da minha esperança ainda viva e em constante mudança, substituindo ela com uma crença morta que não tem como durar por muito tempo.

Resistir sem desistir nunca ao apagamento do que eu sou é perceber que o Estado sempre esteve errado sobre a minha documentação.

Não precisar que ninguém valide meu pensamento é uma aspiração melhor do que tornar-me como alguém ateísta que não consegue parar de falar devido à insegurança reprimida.

Segurar cada contradição com o mesmo carinho com que guardo todo o restante que nunca vou conseguir resolver e explicar me torna muito mais forte do que alguém que se educou demais e tem todas as respostas.

Não precisar que as outras pessoas sejam como eu ou mesmo que parcialmente pareçam-se comigo vai me levar muito mais longe do que infinitas milhas aéreas.

Conseguir o que é meu e seu deveria ser uma prioridade muito mais urgente do que terminar até mesmo uma única linha de palavras de autoelogio.

Caring for myself and those that are with me is more important than studying complicated ideas on a computer screen.

Learning how to have actual conversations without losing it to anxiety and self-consciousness is more important than putting long-winded thoughts on paper because they will haunt me forever.

Becoming calm at the hardest times and being able to learn that ability together is more powerful than a shaky finger holding the trigger.

Reaching out through my antisocial tendency is more revolutionary than writing a whole book full of loaded terms that depend on European philosophy to be explained anyways.

Refusing pacifism and apathy comes before false spirituality that only serves to replace what was passed down to me through enormous effort by my ancestors.

Not being subjected to the policing of your narrative and its expression is more necessary than paying attention to people who are unsure about their heritage or what to do with it.

Considering accountability and responsibility as normal comes before expecting to arrive at a perfect identity that is immune to criticism.

Refusing to pathologize yourself is healthier than being ever unsure about who you are, who is your friend and who is not.

Not paying more attention to my difficulties than to the possible way out is better advice than most things anyone online has to say.

Remembering the first humans to cross into Abya Yala did not come through Bering is alone much more important history than a billion words about US presidents and whatever routines they have.

Being publicly criticized one more time is less menacing than the possible harm involved in simply walking on the street anyway.

Knowing for sure that are many people who need much more help than I do is a lot more obvious than trying to argue for my personal importance.

Not being afraid but aware of the scrutiny of those who want to draw a line around you only to see what's the best angle to attack will make you much stronger than cowering.

Convincing myself for one more day that I don't need to burnout in order to feel worthy of food and shelter is more important than fulfilling the protestant ethics encircling me.

Studying a single line of precolonial history is more liberating than further secularizing my mind to no other effect than doubt.

Trusting my gut feeling about confusing ideas having little worth is much healthier than trying to understand what the anglophones are talking about in their latest anarcho-nihilist bullshit that I don't have time to read anyways.

Choosing knowledge over consumerism and effective questioning over infighting is deeper than the critique that comes through the wire.

Having a caring dialogue with myself is more nurturing than trying to have the anonymous web solve my loneliness and insecurity.

Looking at the mirror or taking a shower is more emancipating than getting updates on the latest news in transphobic academicism as a kind of psychological self-harm.

Making money and other resources reach communities that most need them is greater change than sending data to the northern technocrat.

Having every action and word you say measured up as if you were only worth your outer displays of loyalty to a social scene is less accomplishing than a single act of affection towards those who really care about you.

Trying to learn how to adjust and better please others is a huge waste compared to studying how your own body and mind work with those who have bodies and minds like yours.

Trying to carry the whole power struggle of the world on your back is much more narcissistic than what a misinformed “mental health” professional might be trying to point out to you in the most misguided ways.

Writing concise poetry is far more liberating than being lost in endless prose.

Not giving up growth, joy and love is more mature than clinging to a static, cold idea of adulthood.

Forever remaining critical of myself and others without sacrificing collective care is preferable over what the insensitive psychiatrist is trying to tell me only to send me home and forget about it.

Not being molded by a priest is more urgent than giving up my living, ever-changing hope and replacing it with a dead belief that won't last long.

Forever resisting the erasure of what I am is realizing the state was wrong all along about my documents.

Not needing anyone to validate my thinking is a better aspiration than becoming like the shaky atheist who can't stop talking.

Holding every contradiction as dear as all the stuff I won't ever solve makes me much stronger than the over-educated one with all the answers.

Not needing others to be like me or even meet me halfway will take me much farther than a million air miles.

To get what is mine and yours should be a much higher priority than finishing even a single line of self-aggrandizing words.

Welcome! There is so much to unlearn and so little time.

There is no time to be shy, no time to be still, no time to be hesitant, no time. No time to be quiet, no time to be sulking, angry or in search of atonement. No more time to turn your karma around. It's the end.

There is no more time for redemption, for enlightenment, for making amends. Nothing else will be restored, throw away anything that's half-done.

The doors are closing, the last columns being devoured by the fire. The ceiling is going to fall any minute now. No more satisfaction — only reparation, and it's to be done outside. No more walls and fences. It's just the open sky now, the one you avoided in fear of remembering infinite space.

This apocalyptic writing is nothing. You believed for a while you knew what sins there were, and of which you were guilty. Much greater is the judgment that awaits us!

All poetry and prose will be dust tomorrow.

It's so much harder and unwieldy to debate, plan and prepare than it is to execute. And yet, even encircled by fire from all sides, we debate numbers and straight lines. Better get to it!